Vale a pena ser MEI? O que os números dizem em 2026
Onze milhões de brasileiros são MEI. Mas o teto está congelado desde 2018 — e isso mudou a resposta de quem já fatura perto do limite.
O MEI resolveu um problema real: tirou milhões de pessoas da informalidade com burocracia mínima e imposto fixo baixo. Para quem está começando, continua sendo o caminho mais simples que existe.
Mas há um detalhe que muda a conta para quem já cresceu.
Os números de 2026
Teto de faturamento: R$ 81.000 por ano — uma média de R$ 6.750 por mês. Não existe limite mensal oficial; a divisão serve só como referência de controle.
Quanto se paga: o DAS mensal fica entre R$ 82,05 e R$ 87,05, conforme a atividade. O valor varia porque acompanha o salário mínimo, que em 2026 é de R$ 1.621.
Funcionários: no máximo um.
O teto de R$ 81 mil está congelado desde 2018. A inflação acumulada desde então passa de 55% — na prática, o limite encolheu mais da metade em poder de compra.
A consequência é concreta: só entre 2025 e 2026, mais de 145 mil microempreendedores foram desenquadrados por ultrapassar o teto.
O que está em discussão
Há vários projetos tramitando no Congresso. O enviado pelo governo prevê aumento progressivo do teto para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, além de permitir dois empregados em vez de um.
Outro projeto, já aprovado no Senado, prevê R$ 130 mil.
Nada disso está valendo. Até aprovação definitiva, o limite continua sendo R$ 81 mil. Planeje pelo que está em vigor, não pelo que pode ser aprovado.
Quando o MEI deixa de servir
Três situações indicam que chegou a hora de mudar de regime.
1. Você está encostando no teto. Se o faturamento anual passa de R$ 70 mil, comece a conversar com um contador agora — e não em dezembro, correndo.
2. Você precisa de mais de um funcionário. O limite de um empregado trava o crescimento antes mesmo do faturamento.
3. A sua atividade não está na lista. São mais de 460 ocupações permitidas, mas várias profissões regulamentadas ficam de fora.
O que acontece se ultrapassar
Existem dois desfechos bem diferentes, e a diferença é grande.
Até 20% acima — ou seja, até R$ 97.200: você declara o excedente na declaração anual, paga uma guia complementar sobre a diferença e é desenquadrado a partir de 1º de janeiro do ano seguinte. Doloroso, mas administrável.
Acima de R$ 97.200: o desenquadramento é retroativo ao início do ano. Você precisa recalcular todos os impostos do ano inteiro como Microempresa, com as alíquotas do Simples Nacional. É a situação que pega gente desprevenida e custa caro.
As obrigações que muita gente ignora
Relatório mensal de receitas, até o dia 20 do mês seguinte. Não precisa ser enviado a ninguém, mas deve ser guardado por cinco anos junto com as notas.
Declaração anual (DASN-SIMEI), de 1º de janeiro a 31 de maio. É obrigatória mesmo com faturamento zero. Quem perde o prazo paga multa.
Nota fiscal é obrigatória nas vendas para empresas. Para pessoa física, só quando o cliente pedir.
A pergunta que importa mais que o regime
Vale a pena ser MEI? Para quem está começando, quase sempre sim — é a porta de entrada mais barata da formalização, e dá acesso a benefícios previdenciários.
Mas o regime é meio, não fim. A pergunta melhor é: o seu preço está certo? Muita gente fica anos abaixo do teto não por escolha, mas por cobrar de menos.
Se essa é a sua situação, comece por como precificar sem medo — a conta que a maioria dos autônomos nunca fez.
Valores e regras vigentes na data de publicação. Consulte o Portal do Empreendedor e o seu contador antes de decidir sobre regime tributário.